quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Receita de Ano Novo (Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mude
me seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Viajo amanhã e só volto na segunda semana de janeiro. Portanto, Feliz Ano Novo. Aproveitem e não esqueçam que o Ano Novo está dentro de nós.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Uma árvore de Natal na memória

Entre as lembranças mais remotas acerca do Natal está a da foto. Eu tinha apenas dois anos e me lembro não do Natal, mas do momento em que tirei a foto. Estava encantada com a árvore de Natal da vovó e queria por toda lei pegar uma das bolas. Foi quando me esticava na ponta dos pés para tentar pegar um dos enfeites que fui flagrada. Ao invés da bronca - por sorte - fui convidada para uma foto. Ei-la. Mamãe puxou uma cadeira e eu, claro, como estava pertinho da árvore não resisti e peguei uma das bolinhas. Mamãe me chamou e eis que tirou a foto. Sou praticamente cabelo liso e bochechas na foto. Isso sem contar os babados.

Desejo a todos um ótimo Natal. Espero que o bom velhinho seja bastante camarada com todos e traga não só presentes como muitos planos para se concretizarem em 2008.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Por que quero ter filhos?

Rafael, seis anos, a caminho de casa diz ao pai:
- Hoje eu tive um dia de sorte. Ganhei um monte de presente.
Você precisa de mais? Eu não preciso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sobre o ano que acabou

Pra mim, 2007 já acabou, pois meus ciclos iniciam-se e terminam no meu aniversário. Então, agora é a hora de fazer aquele balanço geral.
Outro dia li em um blog sobre a questão numerológica de 2007, que por ser um ano 9 - portanto, de fechamento de ciclo - a gente deveria colher tudo que plantou. A blogueira considerava-se, então, uma semeadora fracassada já que 2007 foi pífio. E eu posso me considerar como tal.
2007 foi muito ruim. Penso que meu ano já veio fechado com as conquistas de 2006 e foi como se não tivesse sobrado mais nada para 2007. Não sei se considero isso bom ou ruim. Bom por 2006 ter sido tão bom assim ou ruim por 2007 não ter sido nada do que prometia depois de um ano tão bom. Mas eu não posso deixar de levar em consideração características minhas que podem ter contribuído com isso: 1) minha pressa em fazer as coisas e resolvê-las e 2) minha péssima habilidade em lidar com conclusões e finais.
Claro que 2007 não foi só coisa ruim. Entre as coisas boas, destaco os amigos que deixaram de fazer parte da minha existência para fazer parte da minha vida, as novas experiências, os novos aprendizados, os cursos que valeram a pena, os livros que me emocionaram, as saídas que foram regulares, os filmes que assisti, etc. Mas no campo profissional foi ruim quando eu considerava que ia ser muito bom e que eu achei que ia ser importante, já que era o meu primeiro de formada. Não deu.
Mas o bom é pensar que 2008 é ano 1, onde eu posso começar muitas coisas e com muito mais pique e com uma visão mais equilibrada de um processo que envolve mais tempo e serenidade porque eu não preciso correr com tudo desesperadamente. Assim, vou poder desfrutar de cada passo da caminhada porque a trilha é nova e essa, como eu ainda não conheço, enfrento com mais vontade e disposição. E lá vamos nós porque eu estou cheia de vontade de começar mais uma vez.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

2007, 2008 e os livros

Comecei 2007 cheia de pique para ler. Para compensar o último ano da faculdade que só li coisas relacionada aos trabalhos de conclusão de curso. Nos primeiros meses, lia cerca de um livro por semana. Eu gosto mesmo de ler nos itinerários de ônibus e metrô, então aproveitava a inda e vinda do trabalho. Só que em junho e julho fiquei sem emprego fixo, apenas frilando e o ritmo diminuiu. Trabalhei mais um mês com regularidade onde trabalhava antes, mas o ritmo de leitura diminuiu e ficou irregular.
Só sei que, no total, li 24 livros em 2007 - contando com o que estou lendo agora. Na média dá 2 por mês. Queria ter lido mais, mas como a qualidade foi boa e eu nem sei escolher o melhor (vou tentar fazer um top 5 depois) eu me consolo.
Para o ano que vem, já tenho alguns me esperando. Eles somam 6. Um que me dei de aniversário/Natal (Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino) outro que ganhei dela (Sobre Alice, Calvin Trillin), 3 que ganhei* do meu cunhado (Eu sei que vou te amar, Arnaldo Jabor; Mário Quintana de Bolso e A Caixa-preta, Amós Oz) e 1 que ganhei em um quiz (As fêmeas, Marcelo Rubens Paiva).
Com estes 6 eu já garanto um bom início de ano cheio de coisas boas pra ler. E já me aqueço para ampliar o número de livros lidos em 2008.


* Na verdade, eu ganhei um vale presente e acabei comprando os citados.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Eu continuo contando

Diz o ditado que o melhor da festa é esperar por ela. Apesar de concordar e, inclusive, ser adepta ao ditado eu também aproveito bastante as festas. Mas acho que nada substitui preparações, espera, a contagem regresiva e toda a expectativa que envolve alguns eventos.
Depois de ter feito a contagem anual infalível - a do meu aniversário - agora faço para o Natal e para a viagem de fim de ano, que começa dia 28 e tem como destino Florianópolis. Eu amo o Natal: amo ter as pessoas reunidas por, pelo menos, uma noite no ano; amo as comidas; amo o espírito de Natal; amo as luzes; amo toda a simbologia, enfim gosto e ponto final.
E depois ainda tem a viagem. Eu acho que vai ser incrível, eu não vejo a hora de mergulhar no mar e tirar a "nhaca" de 2007, quero tomar sol e aproveitar o que resta do ano para entrar em 2008 com o pé direito.
Então, nesse momento aproveito para pensar em que doce vou fazer para a noite de natal, tento organizar um amigo secreto em família, planejo os pormenores com a minha mãe, penso nos presentes que quero comprar. E, ao mesmo tempo, eu penso nas coisas que eu vou colocar na minha mala de viagem, faço pesquisas na Internet e descubro que lugares eu ainda não conheço de Floripa para montar um roteiro, penso nas compras que ainda tenho que fazer para a viagem, além de outras coisas.
É por me embuir do espírito e expectativa que cada situação promove que acabo gostando e aproveitando tanto o "antes" de uma festa. Imaginar as reações, as sensações e tudo mais promovido por cada coisa que planejei estão, claro, entre as melhores expectativas e, no final, a melhor recompensa das festas.
Na contagem:
7 dias para o Natal
11 dias para viajar

sábado, 15 de dezembro de 2007

25 anos ou Uma nova história de família



Eis que completei os 25 anos. E diferentemente do que profetizei não houve recordações sobre o dia que nasci e a então possibilidade de morte dita pelo médico. Na hora do almoço Mamãe disse: - Didi, você está nascendo. E de noite ninguém quis lembrar mais uma vez quantas noites eu deixei mamãe em claro, já que era uma chorona de primeira e não parava no berço. Em compensação eu ouvi uma nova história, a da colher.


Minha mãe abriu a gaveta de talheres na cozinha, procurou uma colher e a tirou da gaveta exibindo a para minha vó.


- Você lembra dessa colher, mãe?, Mamãe questionou Vovó e logo emendou: - O Roberto (mais conhecido como meu pai) comprou ela junto com outra colher e dois garfos para a senhora, ele e as meninas comerem pizza na maternidade quando a Adriana nasceu.


Minha vó ainda lembrou que naquele ano de 1982, por volta daquela hora da noite, meu pai estava de cabelo em pé exatamente do mesmo jeito que entrou em casa ontem, depois de ter acordado. O comentário remetia ao caso do médico, mas a história não foi sequer mencionada, apenas elucidada. Acho que ela quis dizer mesmo que ele continuava parecendo um doido, mas enfim.


Depois de ouvir o comentário sobre a colher, o primeiro pensamento que me assolou foi: Mas quem raios come pizza em uma maternidade?, mas em seguida resolvi que eu devia não só registrar a história como fotografar-me com a colher que tem 25 anos de convivência em família, assim como eu.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Presentes

Meu segundo presente de aniversário já chegou: uma bela de uma gripe. E já veio desembrulhado.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Definida
Já fazia uns pares de horas que eu estava tentando encontrar uma definição exata para meu humor tão inconstante nestes últimos dias. E agora chegou: volúvel.
Ontem, por exemplo, estava disposta e alguns minutos depois fiquei com preguiça e sono. E junto veio o mau-humor. No final do dia um telefonema me animou e duas horas depois além de mau-humorada de novo já estava mesmo triste e chateada, com vontade de chorar. E nem é pra dizer que teve motivo pra tanto. Será que os 25 anos estão chegando pra mexer de vez comigo?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A caminho dos 25 ou senta que lá vem história



Eu amo fazer aniversário. Faço contagem regressiva, planos, esquemas e tudo o mais. A-do-ro. E faltando só 4 dias eu fico ainda mais ansiosa.
E como o médico achou que euzinha não ia sobreviver todo anúncio de idade é precedido por um "pra quem não ia sobreviver" e seguido por um "tá muito bom".O tal médico achou que eu tinha água nos pulmões. Ele é que devia ter água no cérebro, isso sim. Papai não achou que o médico estava certo, por isso em um ato de heroísmo *hohoho* foi atrás de outro médico e INVADIU a maternidade. Imundo, falando alto, empurrando todo mundo. EXIGIU que eu fosse examinada pelo outro, que desconfirmou tudo. E então, eis que estou aqui. Bela e formosa fazendo meus 25 aninhos. Pois é, quase todo ano repetem essa histórias em casa. E o legal é pensar que sim, Papai já foi capaz disso.



- Na foto eu tinha 4 meses.

domingo, 9 de dezembro de 2007

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A novidade veio dar à praia

Depois de um ano que me formei e realizei meu documentário sobre a revista Ocas" aconteceu uma surpresa: participaremos da exibição de curtas da Prefeitura de São Paulo em comemoração ao 59º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos.
Exibido com filme de diretores conhecidos e experientes, como Selton Mello, Bel Bechara, Jair Giacomini, Alexandre Guerreiro, entre outros, o meu documentário Ocas" - Atravessando a rua tem 15 minutos e será exibido no dia 14 de dezembro entre 12:30 e 13:30, sendo o segundo a ser apresentado.
O evento, que reúne a apresentação de 26 curtas, acontece no Centro Cultural da Caixa Econômica, em São Paulo.
Esse foi o meu primeiro presente de aniversário que eu ganhei. Soube da notícia na segunda-feira e em meio a um monte de trabalho ainda não tinha dado tempo de contar. Além do mais, a apresentação é no dia do meu aniversário!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Feliz

Hoje estou feliz, sem explicação, razão, circunstância. Nada de novo ou especial. Só assim. Irritantemente feliz.
Incrivelmente feliz.
Sensacionalmente feliz.
E esse negócio faz bem, né?
Eu me sinto bonita, disposta, alegre, enfim viva.
Tenho uma novidade pra contar, mas vou deixar o post pra amanhã, porque ele merece exclusividade.
E o mundo se descortina

Acabei de descobrir que o Daniel Sam, do Karatê-Kid, era dublado por Selton Mello. E o mundo agora é outro, gente. Será que só eu não sabia disso?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Dilema de aniversário

E só faltam 10 dias e eu ainda não decidi o que vou fazer. Eu queria MUITO comemorar. A idéia inicial caiu por terra quando fiquei sem emprego e me restaram duas opções que, como tudo na vida, tem lados positivos e negativos e, por isso, contribuem para minha indecisão.
A primeira opção é um jantar aqui em casa. Mas isso além de reduzir o número de convidados me faz repensar porque o espaço aqui é pequeno e sem dúvidas nenhuma a mala do meu cunhado vai pegar no pé dos meus convidados. Como ando mais intolerante do que nunca isso era a última coisa que eu queria. E já que tirá-lo da lista de convidados não é uma opção válida eu não sei o que fazer.
A segunda opção seria um churrasco no meu sítio. Eu poderia convidar um monte de gente e todos teriam mais espaços para 1) aproveitar e 2) fugir do meu cunhado. Além do mais, seria uma delícia pelo calor, pela piscina, por tudo. Mas a questão sítio me pega por alguns fatos complicadores. Meu aniversário é em dezembro e eu sempre odiei isso porque as pessoas nunca compareciam. Tudo bem que quando a gente cresce isso muda um pouco, mas mesmo assim a adesão às minhas comemorações são sempre baixa. E daí tem o complicador das amigas que não iriam por ter que viajar, pela data e tal, pelos avós que não devem comparecer, pelos meio-irmãos que irão.
Enfim, eu to nesse dilema que pretendo resolver até o final dessa semana. Mas não tenho a menor idéia de como resolver. Você tem alguma sugestão?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Exemplificando
Depois de transcrever algumas coisas da abertura do evento que cobri a semana passada achei que devia dividir o que falei, principalmente na questão dos discursos. Estou, ainda, na parte da abertura que eu não assisti e comecei a me lamentar. Juro que eu ia ter dado muitas risadas com o que perdi.
A instituição (que é de pesquisa e vale ressaltar) comemorava seus 10 anos de existência. Estavam na mesa de abertura o então presidente e mais alguns representantes dos principais parceiros. Pois o presidente foi o último a falar e não deixou por menos.
O primeiro momento gafe foi quando ele disse que a instituição não é neutra assim como seus pesquisadores. (Acreditem ele disse isso!) Depois ele disse, que a instituição não tinha muita credibilidade no meio onde atua com prioridade. (Uia!) E fechou destacando as duas palavras que nomeiam o evento anual 'pesquisa' e 'ação sindical'.
Enfim, agora vocês podem sentir que se isso veio do presidente o que mais eu não ouvi, não é mesmo? Pois é.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Virando a folhinha

A semana foi agitada. Semana de cobertura de seminário e desde terça-feira que eu só faço correr e me esforçar. Isso, claro, me fez sumir daqui.
Como estava desacostumada com o ritmo e com horários no começo foi difícil, mas hoje ainda estou firme forte próxima do horário da meia noite. E o final de semana promete muito trabalho, que deve render pra semana inteira (mas espero conseguir terminar antes).
Eu odiei algumas coisas como os erros de português, ter que ouvir certas coisas que são de doer e ter que anotar falas totalmente descabidas do contexto e pior descabidas e sem sentido até pelo que estava sendo dito; odiei ser vítima da inveja e sofrer com o quebrante, mas amei tantas outras coisas. Amo sempre voltar à equipe da qual já fiz parte e ser muito bem recebida; amei aprender e ouvir pessoas competentíssimas nos debates sobre o trabalho decente, responsabilidade social empresarial e trabalho escravo; amei a cervejinha no final de tudo; amei ser chamada para fazer parte de outra parte; amei dividir momentos; amei aprender mais sobre o jornalismo, sobre organização, sobre as pessoas, sobre o mundo e, no final das contas, sobre mim mesmo.
Porque a gente vai crescendo e a vida se encarrega de nos mostrar quais são realmente os caminhos certos que devemos seguir. E bora pros 25 que só faltam 15 dias.

sábado, 24 de novembro de 2007

O amor começa*

O amor começa porque um dia já acabou. Basta um olhar cruzado, um toque de mãos, um abraço apertado e um beijo roubado para que o amor regresse; na escola, numa danceteria, em um bar, no supermercado, na sorveteria, no cinema, em um jogo de basquete, durante o trabalho, em qualquer lugar o amor nasce; é com carinho, abraço, palavras escritas e ditas, músicas, conselhos, incentivo, flores, presentes, perfumes, camas e lençóis; e-mails, bilhetes, SMS e fotos que ele cresce, vive e se fortalece; começa porque devia, porque não devia, como não se queria, depois de se ter pensado, planejado e sonhado; acontece de manhã, de tarde, de noite, durante a madrugada, depois de um encontro ou antes dele, por causa de um e-mail, de um telefonema dado ou um casaco esquecido; dura muito, pouco, o suficiente, demais, ultrapassa as previsões, os limites, o esperado, o pretendido; pulsa em parques, nos shoppings, nos pátios dos colégios, entre as mãos dadas, durante os abraços, no cruzamento do olhares, em línguas que se tocam e em lençóis bagunçados depois do amor sorvido; o amor começa porque ele tem que chegar não importa em que época da vida seja e ele sempre vem pra balançar, pra bagunçar, pra estabelecer, pra ajeitar, pra consertar um coração quebrado ou um amante incorrigível; às vezes, o amor começa de forma proibida, entre primos, entre enteados e madrastas, entre professores e alunas, entre maridos e amantes, entre esposas e personal-treiners, entre patrão e empregado, entre amigos, entre vizinhos; pode acontecer com você a qualquer hora – se já não aconteceu -, com seu pai, sua mãe, seu professor, sua vizinha, sua amiga, sua irmã, sua sobrinha, seus filhos e netos; começa estrategicamente em uma armação adolescente, como se fosse uma aventura juntar duas pessoas que estão ali lado a lado na sala de aula, na busca frenética dos não amados em todas as noitadas, de segunda a sexta, porque o amor é artigo raro e todo querem provar o seu gosto; o amor pode começar sem querer, sem perceber, sem se entender, em um dia de semana de tarde, numa quinta ao amanhecer ou ao anoitecer de um domingo, enquanto os que já amam estão juntos e não se preocupam com nada mais do que sorver o que o amor lhes dá; o amor também começa em parágrafos mudos, com mãos trêmulas, pernas bambas, taquicardia, vergonha; ele chega mesmo em salas de esperas, em escritórios indefectíveis, com músicas bregas, em um elevador que parou dando tempo que os amantes se olhassem para que o amor notasse que era ali mesmo que ele devia estacionar; o amor começa em um luau na praia, no entardecer cinza da cidade e no amanhecer caipira do interior; o amor começa depois de uma batida de carro, em uma consulta médica, pois o amor sentencia seu começo, se impõe, se instala e não tem mais jeito por mais que algumas pessoas finjam que não, se enganem, disfarcem ou neguem, mas o brilho nos olhos entrega e aos poucos todos se rendem porque não vai mesmo ter jeito; então o amor recomeça já que um dia acabou e teve que voltar porque sem amor, - ah, sem ele – ninguém vive!



* homenagem contrária e adversa à Paulo Mendes Campos

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Monofrasal

- A pressa é inimiga número 1, tipo arqui-inimiga, da perfeição e melhor amiga da ansiedade, tipo soulsister.

- Faltam 22 dias pros 25.

- To indo pr'aquele raio de julgamento.

- Hoje está uma típica e infernal quinta-feira. Volto só amanhã.
Socorro

Alguém aí tem bom-humor injetável? To precisando de três doses, por favor. E rápido!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sobre os laços trabalhistas

Aí que eu trabalhei naquela ONG, né? E eles ficaram ruins de grana e, em maio, não renovaram meu contrato. Eu saí. A coisa tava feia porque em maio mesmo o então presidente disse que não ia se recandidatar ao cargo e tudo ficou meio: e agora?. Mas outro jornalista ia sair e seria a minha chance de voltar. Em junho e julho eu frilei e em agosto eu voltei só pra organizar um seminário. E meu chefe direto pediu demissão e queria me colocar lá. A comunicação toda ia saltar fora. E todo mundo (que só eram 2) comunicaram que iam sair. Eu era a substituta direta. Me ligaram, me sondaram. E nunca mais mandaram resposta, nem negociaram meu valor, nem nada. Simplesmente sumiram. Aí precisaram de mim. Mas aí foi o chefe quem ligou e negociou. Ele continua lá, mas não de dentro. Ele que já era terceirizado agora ficou mais distante. E o que era difícil, piorou. Aí que eu sou praticamente a terceirizada do terceirizado desta vez e as coisas estão pra lá de demorada para se resolverem. E eu to aqui morrendo de medo de não dar tempo, mas sem poder ir na fonte e beber água. Só que eu já sou ansiosa de natureza e to quase me matando aqui. Só espero que, no final, dê tudo certo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Boi na linha

# Fulano tá aí?
* Sim.
# Então, eu vou te falar uma coisa e faz cara de blasé.
* Ah, tudo bem. Mesmo porque não está no mesmo recinto.
# Tá, mas então não faz comentários.
* Manda.
# Tem alguém que está interessado em você. Mas nível BEM interessado.
* Já sei quem é.
# Nível pergunta todo dia de você. Diz um nome.
* O Ciclano.
# Nossa, como você é sagaz.
* hahahahaha
# Ele pergunta de você todo dia. Quer saber quando você vai voltar lá. Quando vai almoçar. E eu disse que ia ter que fofocar com você sobre isso.
* Aé. E o que ele disse?
# Ele quer mais que a gente fofoque.
Eu sou assim

Se não vai ser do meu jeito não vai ser jeito nenhum. E tá acabado.
Eu to 'P', eu to triste, eu to tudo. Mas já decidi. É. Eu sou resoluta.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Na folhinha

Falta exatamente um mês para o meu aniversário. Entremos no inferno astral e esperamos que tudo corra bem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Sonho

Essa noite eu sonhei que tinha tido uma filha. E se chamava Luiza.
Dizem por aí que quando a gente sonha que teve filhos é porque alguém por perto está/ficará grávida. Quem será a bola da vez?
Se bem que eu prefiro acreditar que quando a gente sonha isso quer dizer que algo novo vai acontecer na nossa vida: um projeto novo, uma mudança positiva, etc. Eu prefiro essa opção. Mesmo porque estou precisando.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Assalto sem fim - episódio II

Eu falei aqui sobre o assalto de 2005 e sobre a intimação que eu tinha recebido pro ano que vem. Só que eu recebi uma ligação do oficial de justiça, hoje, me dizendo que a data mudou. E é agora, dia 22.
Ele alegou que a juíza não sabia que os fulanos estavam presos, por isso o julgamento foi adiantado. Agora, me diz como é que ela ia julgar dois fulanos que estavam soltos? E como é que ela não sabia? Não devia constar nos autos que eles foram presos dias depois?
Eu to super indiguinada. SUPER. E não é a primeira vez que me convocam porque não sabiam de alguma coisa. Será que a justiça é mesmo cega?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Uma dupla de i

Ando insolente e impaciente. Não sei se é a TPM, se a chegada dos 25 anos ou é pessoal mesmo. Só sei que as minhas tacadas andam cada vez mais freqüentes e abusadas. No fundo, eu sei que não adianta nada - e segundo minha mãe e minha irmã, isso só piora. Mas eu não consigo me segurar.
Quando eu vi, já falei. Já fui grossa, já era - tarde demais! Se bem que o meu alvo bem que merece. É que a paciência anda mais que curta que o normal, sabe? Então, ele que tome cuidado.
Eureka

Ontem descobri os Mojo Books. A idéia é muito legal.
A partir de um CD qualquer você escreve um livro de ficção. Ou seja, a partir de tudo que as músicas te inspiram, sucitam e/ou lembram, você escreve um texto entre 10 mil e 30 mil caracteres (com espaço). Acho que vou me aventurar.
Mas, por enquanto, estou pensando em que CD vou escolher. Tem alguns CDs e histórias já disponíveis no site. Ah, e você baixa de graça. E ainda pode imprimir e encartar no CD.

domingo, 4 de novembro de 2007

Eu posso ser má

As máscaras caem. E eu, zombeteira, agradeço - e me divirto. E, olha, eu juro que foi sem querer (querendo!).

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Take your time

É isso que ando fazendo. Quase não respondo mais e-mails; menos ainda os escrevo. São raros os encontros que me disponho a participar e mais raros os que resolvo organizar. Então achei que esse era o momento. Enfim. Sem falar, sem ver, sem ouvir. E não é por omissão. É escolha. E isso, meu bem, é muito diferente.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Insone

(sem título)

Tudo que é pouco,
e devia ser muito.
Tudo que sangra,
e dói mudo.
Tudo que faço,
ou, então, anulo.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Amar é...

...revisar o TCC da melhor amiga e passar tudo por telefone. Inclusive todos os seus pitacos e sugestões.
Dos sonhos que não são pesadelos, mas são estranhos
Essa noite sonhei como se fosse um livro. Cada parte do sonho era um capítulo. Mas acontece que os capítulos estavam embananados. E as personagens eram a Menina que roubava Livros e Max Vanderburg, do livro A Menina que Roubava Livros, e Rímini e Sofia, d'O Passado. Ou seja, eram duas histórias paralelas que não se encaixavam, mas que ainda sim estavam no mesmo livro (ou melhor, no mesmo sonho).
Depois dessa acho que vou deixar de ler antes de dormir e começar a ler ao acordar.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Quase como na música

Ontem comprei um biquini. Ele é de bolinhas. Mas elas não são amarelinhas e nem é tão pequeno que chega a se esconder na palma da minha mão ou da Ana Maria.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Mania ou As minhas coleções

Eu faço poucas coleções. Uma delas é marcador de livros. Inspirada aqui resolvi criar os meus próprios com as citações que anoto dos livros e das minhas fotos.

Influenciada

Depois de assistir O Cheiro do Ralo 'bunda' virou assunto - e piada. Virei monotemática e cheia de graça. Ui!

sábado, 20 de outubro de 2007

Vivendo este momento

Vai fazer dois meses que eu estou desempregada. Há três semanas eu estava começando a me estressar e me irritar - com tudo e todos. A viagem pra BH veio em boa hora, mas foi rápida. E nas outras duas semanas que se seguiram eu acabei fazendo os cursos de pinhole. Pronto; recarreguei as baterias, mudei o olhar (tanto sua direção quanto sua intenção) e estou me sentindo muito melhor. Parece que existe uma outra vida aqui dentro neste instante. E a vontade de aproveitar esse momento desocupada cresceu e tomou forma.
Por isso, eu vou ali aproveitar o sol que voltou a brilhar e volto mais tarde.
Bom final de semana!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Assalto sem fim

Na páscoa de 2005 fui assaltada no meu sítio. Traumatizei. Não dormi nas noites seguintes e sempre que vou pra lá relembro o que aconteceu. Eram dois, que foram e estão presos. Quando esqueço do episódio a justiça me faz lembrá-lo.
O ano passado fiz reconhecimento fotográfico e este ano recebi mais uma intimação, mas que veio em vão e me fez perder tempo indo até o interior à toa. Esta semana recebi outra. Para o ano que vem depor como testemunha no tribunal. Creio que eles serão julgados pelo que fizeram.
Eu ainda perguntei pro oficial se eu teria que encontrá-los cara a cara. Ele não soube me responder, mas acredita que não. Porque eu faço o que for para que eles continuem preso - menos reencontrá-los.
O caminho de uma idéia

Aí eu estava fazendo o curso do Pinhole, né? E para a última aula, que foi ontem, eu tinha que levar um filme fotografado com algum tema. E eu saí da aula, na terça, pensando: um tema, um tema, um tema, um tema. O que eu vou fotografar era a pergunta que ecoava na minha cabeça. Como eu não tinha chegado a conclusão nenhuma fui dormir. E no dia seguinte acordei com o tema: cadeiras. Ok, vou fotografar cadeiras. De tarde, enumerando as cadeiras e pensando como iria fotografá-las fui e voltei da perfumaria ainda tentando me convencer de que o tema era bom. Só que o que o professor tinha dito não saía da minha cabeça: inove, faça coisas diferentes. E eu pensando que cadeiras não era exatamente inovador.
Enquanto estudava os tempos que precisaria para fotografar, um outro clique veio: dupla exposição. Achei que era a idéia perfeita. Vou fotografar com dupla exposição, que é algo mais legal. E pensei, então, que o perfeito seria fotografar mesas e cadeiras. Dupla exposição.
A idéia era essa, mas apesar de ter que entregar as fotos na quinta e já sendo quarta eu tava com uma preguiça danada de sair pra fotografar e adiei para o dia seguinte.
Na quinta, às seis da manhã, levantei com outra idéia. Mais brilhante ainda. Iria, então, fotografar em dupla exposição coisas inseparáveis. E comecei a enumerá-las mentalmente: xampu e condicionador, pasta e escova de dentes, bloco e caneta, etc. Resolvi que eu tinha que levantar e anotar pra não perder nenhum par. Minha irmã me achou louca, mas eu acredito que aquelas idéias não iam me deixar dormir se eu não anotasse e tenho certeza que foram elas que me acordaram.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Futebolês ou um post pra quem é bom de bola

Não me lembro ao certo em que posição jogava. Se era ala ou armador. Só sei que entendeu o amistoso como partida oficial e decisiva. Entrou em campo como se fosse clássico, mas não era bem assim. Com um esquema tático digno de goleada podia ter feito mais bonito, mas deixou a desejar. Armou a cama-de-gato e fez cera por um tempo. Até que na antecipação cometeu penalidade máxima. Pênalti. E tomou um golaço no contra-ataque. Não soube lidar com time experiente. Afinal jogava com boleiros. E time descolado sabe como se armar.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Quem tem boca vai a onde quiser
Pior do que perguntar pelo lugar errado e que nem existe em uma cidade é ser indicado, por taxistas, como se chega lá. Depois de rodarmos por horas, achamos. A enorme torre iluminada indicava o caminho. Quase saímos da cidade, voltamos e chegamos. Depois de todo esse tour a irmã menor de idade não podia entrar. Viagem quase perdida. Ela resolveu dormir no carro e nós nos divertirmos em pouco tempo. E lá nesse bar tava tocando uma banda cover do Legião Urbana. E eu, que há tempos não escutava, lembrei o quanto eles são bons. E esse mês fez 11 anos de morte de Renato Russo e eu voltei a ouvir Legião.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

No Sesc/SP

Foto: Wicca, tirei daqui.

O objetivo do curso é construir uma Pinhole a partir de uma caixa de fósforo. E uma Pinhole de filme. As dinâmicas são muito legais. O ritmo da aula é calmo. E dá vontade de fotografar adoidado. O professor é o fotógrafo Miguel Chikaoka. E ele tem um sotaque diferente que não é de japonês, nem de belemense (onde mora há anos), nem de paulista (porque ele é de São Paulo). A gente ainda construiu uma câmera obscura. E no final de semana ainda participei do curso de Pinhole no tubinho do filme. E foi tão legal, que a vontade que dá é de ficar inventando mil e uma coisas para construir outras pinholes e fazer várias fotos. Foi o melhor feriado dos últimos tempos e o curso mais gostoso também.

domingo, 14 de outubro de 2007

Avisa lá

Alguém pode dizer ao meu cérebro/inconsciente que ter pesadelos toda noite não é legal?

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Semioticando

Estou fazendo um curso de Pinhole com o fotógrafo Miguel Chikaoka. E ele sempre faz umas dinâmicas na aula. Por causa do tempo da aula que é curta, ele sempre comenta que a dinâmica se desdobra em muito mais, mas mesmo assim são incríveis. Ontem, além do brainstorm de LUZ É... passamos o barbante na sala e formamos um desenho no chão. Era assim: estávamos em uma roda e ele começou com o barbante entregando pra outra pessoa e dizendo uma palavra para LUZ É... Ele entregava o rolo para a pessoa, segurava um pedaço do barbante que continuava rodando na sala.
Ao final, todos estavam sentados e com o barbante formando um desenho, como se fosse a luz. Conversamos mais um pouco sobre a luz, matéria-prima da fotografia, e depois ele foi recolhendo o barbante. Quando recolheu tudo formou uma bola de barbante e disse que ali estava tudo que guiaria nosso curso. Cheio de simbolismo, de significados, signos e significantes. Adorei.
Dentro da bola de barbante estavam todas as palavras e seus significados sobre a luz, então tínhamos energia, luz, brilho, fim, caminho, saída, eletricidade, calor, idéia, etc.
Imagina que legal? E hoje ainda tem OUTRO curso, mas com o mesmo professor.Iei. Feriado mais que bem aproveitado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Osso duro de roer

Ontem fui assistir Tropa de Elite. Só posso dizer que o filme é osso duro de roer. As cenas de agressão eu pulei, todas. Fiquei escondidinha pra não ter que ver. Mas ainda não sei o que penso sobre o filme.
Primeiro de tudo acho que o começo alivia toda e qualquer ação. Como se fosse a desculpa perfeita, o filme começa com uma frase que diz que não é o caráter que determina as condições de um homem, mas, sim, o contexto social em que ele vive. Para mim, isso foi claramente uma forma de justificar toda e qualquer ação violenta da polícia e da forma de repressão do BOPE, mas também posso muito bem encarar a frase como justificativa pro tráfico, oras. Quer pior condição social de quem vive no morro? Eu não estou do lado do bandido, mas tão pouco quero ficar do lado de quem entra na favela para matar e não para morrer, como explicou o Capitão Nascimento.
Achei incrível no filme coisas como a hora que o policial repreende a classe média que faz passeata pela paz, mas consome droga e financia o tráfico, o crime organizado, a violência, etc. A classe média é claramente aquela que vai dizer que deve ter segurança pública e políticas eficientes e, ao mesmo tempo, vai financiar o tráfico sem pensar que ele está num círculo vicioso que vai acabar contra ele mesmo.
Mas o filme também tem suas obviedades. Ele conta como se fosse novidade que só existe uma ONG no morro se o dono dele, o traficante, permite. E quem não sabe disso? E quem não sabe que todos e qualquer criança e adolescente usado no tráfico como aviãozinho vai proteger quem te dá o que comer, roupas, proteção, etc? E quem faz isso? O traficante, claro.
E eu fiquei super pensativa com o filme porque se de um lado você não acha certo que matem as pessoas da favela, mesmo que elas trafiquem etc, você também pensa que uma amiga sua foi assaltada e que deviam fazer exatamente aquilo com os bandidos e com aqueles que também já te assaltaram.
E se o Capitão Nascimento está certo em dizer que quem matou aquele cara lá no morro tinha sido aquele estudante, que comprava a droga lá no morro, a mãe do menino aviãozinho também está certa em dizer que quem matou o filho dela foi o BOPE que o fez entregar quem estava com a carga.
Depois de colocar tudo isso no "papel" concluo mesmo que não há justiça. De nenhum lado. Nem por parte da polícia que mata e nem dos traficantes. Apesar que o filme não mostra nenhuma ação violenta dos criminosos de forma direta, gratuita, apenas como reação às ações policiais. Enfim, não conclui nada. Continuo confusa com toda esta questão social que o filme mostra.
Mas a produção é ótima. Adorei ver a música que usei na abertura do meu documentário de conclusão de curso no filme e gostei do começo entrecortado com a dança de funk no morro. Gostei de muitas cenas. Gostei dos atores, até do Caio Junqueira que não gosto. Gostei do Wagner que está sem sotaque - exceto por uma pequena parte das cenas, mas bem pequena mesmo. Gostei das músicas, do roteiro. Gostei. Gostei de algumas frases chocantes e de algumas situações que, embora limite, me fizeram rir. É a comédia do trágico.
Mas o final me deixou com a pulga atrás da orelha. Porque aí sim o Matias teria virado um verdadeiro policial?

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Ócio produtivo

Tenho um amigo mui sábio. Estava reclamando para ele da minha vida de desempregada, que não agüentava mais, quando ele veio com uma sábia metáfora. Disse que quando estamos sozinhos temos que saber aproveitar e sair com os amigos, curtir, beijar, fazer tudo que a solteirice nos permite e quando estamos com alguém, seja casado ou namorando, temos que fazer programinhas de casais, dar satisfação, cuidar e ser cuidado. Enfim, ele resumiu que temos que saber aproveitar o momento que vivemos já que quando estamos sozinhos queremos alguém e quando estamos com alguém queremos a liberdade que a solteirice nos dá. Então, ele me disse que eu devia aproveitar e ir à exposições - já que estou com tempo de sobra -, cinema, teatro e outros programas afins.
E hoje já comecei a colocar em prática e aproveitei todo o sol que está em São Paulo para me bronzear na piscina acompanhada de uma revistinha. E não é que em quase uma hora deu até pra começar a me bronzear. Este será meu programa das manhãs, por enquanto.
Pequenos funerais

à luz desamparada dos dias
morrem manhãs silenciosas e tardes de sol

morrem estrelas e pequenas ondas
fundidas à desolação noturna

morrem folhas, ponteiros e calendários
à sombra da tua inércia

morrem células, sonhos e vozes
na várzea constante e viscosa das tuas omissões

morrem esperanças, expectativas e aplausos
cansados da mesma ausência

da Jeanine Will, do Caminhão de Mudança

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A família Franco

A família é grande. Imensa. Tenho 9 tios vivos e mais uma porrada de primos. Nem sei quantos são ao todo. Acho que 30. E quando todos se juntam é uma bagunça da boa. Neste final de semana foi assim. Casório de uma prima. Em BH. Fui e acampamos na casa da minha vó. Eu e mais um tanto dos primos, tios, namorados e agregados. A família não pára de crescer e até bisnetos já fazem parte da família.
Na sala tinham colchões, gente em todos os cômodos. Nos dois apartamentos que são no mesmo prédio mais gente, e nem assim cabia.
E a gente dançou a noite toda, riu, tirou fotos, contou, conversou. E agora eu fico, assim, esperando as atualizações orkutísticas pra pegar as fotos de todo mundo. A gente tirou fotos com a matriarca da família. Só os primos. Só os filhos. E foi tão lindo. E tão emocionante. E eu não vejo a hora de ter outro casamento só pra juntar todo mundo de novo.

A matriarca dos Franco e alguns de seus netos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Nada será igual

Depois de ontem, do porre de verdades, dos anseios, dos desejos, da rinite que ataca na madruga e não deixa dormir, da vontade de ser mais, de estar assim com o sex-appeal pra lá de extrapolando, de ter uma das tardes mais gostosas da fase de desempregada, de ter ganho o melhor dos conselhos ontem, de ter recebido uma mensagem no MSN hoje que nem foi tão legal assim porque só incita, de estar com vontade de tentar TUDO mesmo, de pensar em possibilidades nunca dantes imaginadas, de estar feliz apesar dos pesares, de estar com as unhas vermelhas por mais uma semana, de esperar pela viagem que começa amanhã. Depois de tudo. Porque a vida muda, sempre, o tempo todo, de todas as formas e pra todos os lados. Ainda bem.

*

perguntas nunca se calam
a não ser no fundo
bem junto
do silêncio do mundo
da Jeanine Will, no Caminhão de Mudanças

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Pra sempre, mesmo

A gente divide a cama, os segredos, os amigos, as conversas, o conhecimento, as bandas preferidas, os livros, os autores, as idéias, as mães, as irmãs, as lágrimas, as risadas, os gostos, as aventuras. A gente vai fazer dois cursos juntas. A gente não cansa de dividir porque, na amizade, é assim que se soma. E sempre foi assim. Bastava perguntar Vamos? sem precisar dizer onde. A resposta era sempre a mesma: Vamos! A gente sempre disse que era 'pra sempre' e hoje, mais que nunca, temos certeza disso.

domingo, 30 de setembro de 2007

Sobre o oposto da vida II - a continuação

Ela pode ter acertado na previsão da mãe, do irmão e da vó. Mas errou na do pai. Ele ainda está lá. Na UTI, em coma induzido é bem verdade, mas está lá.
Esse final de semana recebeu visitas. E andam dizendo mesmo que ele é um verdadeiro Vieira, que não vai ser desta vez que a morte o levará. Talvez ele viva tanto quanto a mãe, que chegou nos 90-e-tantos. Ele, que é tio-avô, já tem 83.
Ela vai todo dia visitá-lo. Entra no quarto imenso e vazio apesar da aparelhagem toda. Durante o dia todo são as máquinas que o fazem companhia. Ela vai lá por algumas horas. Conversa com ele e antes de ir embora se despede, como se fosse a última vez.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Definição do dia

Sabe feliz? Sabe barriga doendo de tanto rir? Sabe vontade de fazer um monte de coisas legais? Sabe?
Eu sei.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sobre o oposto da vida

Primeiro foi a irmã que partiu. A mais velha. Meio sem porquê. Do nada. O acontecimento que ninguém espera. E aí a mãe decaiu. E a mãe que inventava doenças pela vida inteira começou a tê-las de verdade. E também se foi.
A casa, outrora grande, já não tinha mais tanta gente. O irmão, que era louco de verdade, ia e vinha do sanatório. Era ele o único responsável pelas fortes emoções da casa. Mas adoeceu. Pensou que era Aids porque ele estava magro demais, debilitado demais. Na internação descobriu-se o câncer, na garganta, que não o permitia comer. E sem tempo de sofrer também partiu. E na casa de três quartos, salas, cozinha, quintal e biblioteca só restou ela e o pai.
A idade do pai o fazia perder os movimentos, a visão, até ser dependente de novo. Até sentar-se na cadeira de rodas. Hoje ela ligou porque o pai está internado. UTI. Ela é boa em previsões, talvez já aprendeu a conversar/negociar com a morte. Diz que ele não deve passar de amanhã.
E ela não deve nunca ter pensado que a vida ia ser assim: uma sucessão de perdas. Não tão cedo. Como todo mundo achou que não ia ser a última a partir, por não ser a mais nova. Com certeza pensou que contaria com a ajuda dos irmãos na hora de enterrar os pais. Mas não foi assim. Nem sempre a vida é justa. E parece que a morte não leva muito em conta o que a gente acredita e quer na vida.

sábado, 22 de setembro de 2007

Aquele encontro

Da outra vez que a gente tinha se visto você sentiu ciúmes. Daquela vez que a gente tinha se visto todo mundo prcebeu que sua atenção era só minha. Naquela noite eu dancei forró com o seu amigo, que também é meu. Você tentava fingir que não estava nem aí, mas não parava de olhar. No final das contas, você rodou na mesa feito peão e acabou sentado do meu lado. Naquela noite eu tive certeza que nem todo mundo gostava de mim, mas também soube que outros meninos da sua turma eram muito legais e alguns outros ainda se lembravam de mim, mesmo depois de tanto tempo. Você se aborreceu por, de repente, eu estar tão bem entre tantos meninos. E, então, ficou com uma menina. Eu fui embora e a gente não se despediu. Lembro que depois você disse que tinha se arrependido do seu comportamento. Você ainda era tão menino que minha presença te desnorteava. Você era tão menino que não sabia onde colocar as mãos. Você ainda era o menino pelo qual me apaixonei e hoje já não é mais, mas ainda me olha da mesma forma. Você já sabe onde colocar as mãos, apesar delas ainda tremerem quando chegam perto de mim. Será que eu ainda te desnorteio como antes?
Amanhã

Temporada das Flores [Leoni]

Que saudade agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino,
Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,
Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.

Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.

Eu te trago um milhão de presentes,
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta,
Que o calor das pessoas e o amor pela vida...
Me espera estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pra as flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.

Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Os livros, a Copa, as resenhas e a opinião

Enquanto acompanho a Copa de Literatura fico pensando em qual será o papel da resenha. Lembro-me de um professor, na faculdade, dizer que a resenha tinha que despertar a sua vontade de ler aquele determinado livro ou assistir ao filme resenhado. Mas não foi o que aconteceu ontem. Durante a quarta partida da Copa (As sementes de Flowerville, de Sérgio Rodrigues X Corpo estranho, de Adriana Lunardi) eu fiquei com vontade de rasgar os dois livros; de sequer chegar perto de nenhum deles apesar da linda capa do livro de Sérgio e da história do livro de Adriana parecer muito boa.
Eu não li nenhum dos livros que disputam, mas fiquei, por exemplo, morrendo de vontade de ler Música Perdida de Luiz Antonio de Assis Brasil e resenhado por Olivia Maia. Por que sou gorda, mamãe? de Cíntia Moscovich e resenhado por Renata Miloni também me despertou interesse. E o mais engraçado é que em si - os dois livros que me interessaram através dos argumentos - talvez não me interessariam de outra forma. Um porque trata do amor em paralelo com a música e apesar de eu gostar muito de música não conheço e nunca estudei música ou qualquer instrumento, o que me afasta um tanto considerável do tema. Já o outro tem um título meio auto-ajuda e por tratar do tema 'peso' jamais me faria olhá-lo mais que uma vez em qualquer prateleira de livraria.
E aí, eu fiquei aqui pensando. Será essa a função da resenha? Despertar nosso interesse mesmo sendo sempre escrita por uma ótica tão pessoal de quem a faz? Porque eu amo o jornalismo, acredito no seu poder, mas jamais em sua imparcialidade. E então fica tão subjetivo ler uma resenha que vale a pena pensar uma segunda vez e até pedir outras opiniões ou, quem sabe, nunca mais lê-las.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Fazendo (ou perdendo) as contas

1 ano é igual a 365 dias ou 8.760 horas ou 525.600 minutos.
Mas de quantos pensamentos é feito um ano? De quantas palavras escritas? De quantas palavras ditas e ouvidas? De quantas fotos tiradas? De quantos suspiros? De quantos sonhos? De quantos encontros? De quantos desencontros? De quantas vontades? De quanta vida? De quanto?

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Frágil uma pinóia
Meu tipo mignon engana. 1,60m de altura e quase 45kg. Do tipo que todo mundo diz que não pode abraçar muito forte porque quebra. Não, eu não quebro. Posso ter cara de boazinha e jeito quietinho e tímido dando margem às pessoas interpretarem como santinha, mas aviso logo: De anjo não tenho quase nada. Por aqui não salvam nem os cabelos enrolados.
Então, não se surpreenda se passar por mim na rua e a cara estiver fechada. Se eu disser: Vocês podem fazer o favor de calar a boca que eu to tentando dormir. Ou se depois de esperar um bom tempo pelo suco virar para a garçonete com a pior das caras e a mais seca das vozes: Ei, cadê o suco, hein? Ou então quebrar o pau no telefone porque eu só vou pagar pelo MEU diploma o que a LEI determina.
É claro que você também pode passar por mim na rua e me ver sorrindo à toa, cantarolando, caminhando alegremente. Sou a pessoa que vai passar creminho gelado nas suas costas e pés caso eles estejam ardidos do sol ou até a única irmã capaz de levantar da cama e ir buscar um copo de água enquanto você está no computador.
Lado bom e lado mau. Lado grosso e lado meigo. Eles andam assim, todos juntos, em mim.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

A conversa

A data. Eis o assunto. Que puxou o começo. Que puxou antes. E engatou a conversa descontraída. De guarda totalmente baixa falamos, rimos. Desvaneamos nos "e se..." que não aconteceram, mas podiam. Quando você perguntou 'quando' eu assustei e pensei: homens também pensam nisso? Como você soube que eu estava pensando nisso, que é por esses dias? Você simplesmente sabe, como eu. A conversa morreu, mas o assunto ainda voltou no mesmo dia.
Entreguei os pontos. Eu não fui lá pedir um autógrafo - mesmo que tenha feito isso -; eu só fui lá confirmar se era você mesmo quem respondia aos e-mails. Era um truque e você caiu. Porque apesar de tudo, eu não tinha certeza. Aliás, a incerteza era tamanha que a pergunta saiu exatamente assim: - Não sei se você se lembra de uma menina que te escreveu um e-mail dizendo que queria ser Malu. Então ... E eu nem precisei completar a frase, terminar o raciocínio. Antes disso você me olhou, sorriu e estendeu os braços indicando qual era o caminho mais curto para um abraço. Certeza acompanhada de olhar surpreso, sorriso e abraço é melhor que qualquer coisa. Eu soube e você ainda completou: - Eu tenho o seu e-mail guardado até hoje.
Você pode até questionar - E se eu tivesse dito que não lembrava, que eu recebia milhares de e-mails como aquele? - porque a gente sabe que não foi assim que aconteceu.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Tem muita vida lá fora

Ando vivendo. Muito. O calor e o desemprego tem me empurrado pra rua. E é incrível ver as pessoas pelas ruas em pleno dia, durante a semana. Porque quando a gente está trabalhando, fica na frente de uma tela iluminada, concentrada, em uma sala. O mundo acaba; é só aquilo ali; como se o mundo fosse você e tudo o mais que tiver só ali dentro daquela tela ou o seu redor na sua sala. Como eu trabalhei por quase um ano e meio em uma sala bem grande, com muitas pessoas que falavam e riam muito e um dia de calmaria era raro, quase não percebia que havia outra coisa. Meu mundo era isso: aquela sala com tijolos aparentes na parede oposta, com janelões que permitiam a entrada da luz do sol ou até o escurecimento da sala em caso de tempestades, com gritarias, telefones, uma sala ao lado e muita gente circulando, entrando, saindo, pedido, comentando, conversando, trabalhando, produzindo, divertindo, distraindo, etc. Pra mim, parece estranho circular pelas ruas dos bairros e ver que tem gente andando, passeando, trabalhando, transitando. É a vida que pulsa e é a vida que quero tanto retratar. Eu queria um emprego em um jornal diário, ter correria, ter que ir na rua, voltar e poder ter as duas coisas: uma mesa com um computador e uma tela iluminada que tem vida dentro, mas que me permita também tratar da vida que eu vi na rua e merece ser retratada. Porque tem tanta vida lá fora que não é possível que eu não encontre algo interessante pra contar.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A minha fome

Eu tenho fome de: um emprego novo, de desafios, de amigos sempre perto, de livros, de descobertas, de viagens, de fotos, de letras e palavras, de carinho, de abraço apertado, de notícias boas, de gente feliz, de manualidades, de músicas que digam coisas boas, de filmes que acrescentem, de beijos, de atenção, de amor, de chocolate, de doces em geral, de atitudes positivas, de pensamentos bons, de unhas vermelhas, de conversas sinceras, de revistas, de organização, de listas, de cabelos molhados, de praia, de calor, de verão, de boas companhias, de risadas, de segredos, de vontades, de sol, de lua, de céu estrelado, de rede, de colo, de chá, de amores, de e-mails, de cama quentinha, de tudo que me faça feliz.
E você, tem fome de quê?

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

MSN 2

A conversa começou estranha. Mas avançou. A princípio não entendi porque tinha sido escolhida para saber sobre os seus problemas de relacionamento. E quanto mais a conversa avançava mais eu achava que o assunto não era sobre ele e a namorada, mas sobre mim. Era um teste. Só não sei qual foi o resultado.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Epitáfio

“...existi somente porque enchi tempo com consciência e pensamento.” Fernando Pessoa, em O Livro do Desassossego.

domingo, 26 de agosto de 2007

"Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais - se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não ser o símbolo de toda a vida. (...) O que é feito de todos eles, que, porque os vi e os tornei a ver, foram parte da minha vida? Amanhã também eu sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da Rua dos Fanqueiros. Amanhã também eu - alma que sente e pensa, o universo que sou pra mim - sim, amanhã eu também serei o que deixou de passar nestas ruas, o que outros vagamente evocarão com um 'o que será dele?'. E tudo quanto faço, tudo quanto sinto, tudo quanto vivo, não será mais que um transeunte a menos na quotidianidade de ruas em uma cidade qualquer." Fernando Pessoa, em O Livro do Desassossego.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Seminário - parte final e definitiva


Deu tudo certo, como em todo final. A lista de participantes, ontem, tinha 110 pessoas e o foi o exato número que compareceu, mas nem todos da lista - alguns não foram, outros compareceram e mais uns foram substituídos. Todos os palestrantes foram, ou melhor, quase todos. Tudo que eu me encarreguei de confirmar estava certo. Apesar dos sustos do final da quinta-feira, tudo se ajeitou. O tempo foi extrapolado, mas nos planos tudo tinha larga escala de tempo. Pensado para isso. Eu fiz o material, eu divulguei, eu confirmei os palestrantes, orcei tudo, mandei imprimir, resolvi e contornei os percalços e apesar do amadorismo geral foi tudo bem. Eu me estressei, me descabelei, me esforcei, fui mais competente do que me imaginava porque nem na hora do aperto eu falhei. Hoje eu cobri, organizei, arrumei a sala, ajeitei tudo, coloquei água para os palestrantes, controlei o tempo, decidi os horários e o que faríamos ou não. Substituímos o faltante e contornamos o que foi possível. No fim, ainda recebi parabéns de todo mundo e eu saí de lá mais do que com a sensação de tarefa cumprida, saí com a sensação de ganho, de aprendizado. Eu nunca tinha feito isso sozinha. Queria que eu tivesse tido mais tempo, pra divulgar melhor e ter realmente o número estimado de participantes - embora eu ainda ache que um evento do porte do que queriam era preciso mais competência e experiência. Agora eu posso respirar alivida e começar a procurar um emprego.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

MSN

M. entra no MSN com a seguinte frase: O amor é paciente.
Eis que não resisti.

Didi diz: Achei que o amor fosse doutor
M. diz: tb
M. diz: e o tempo é a cura
Didi diz: pois é, ele é um mutante
M. diz: quem sabe
Didi diz: não sei. mas eu que não
M. diz: eu tão pouco
18 anos sem Raul

Eu não saberia desta informação se não tivesse ido buscar. E buscar muito. Nenhum jornal noticiou, nenhum veículo comentou contraponto tantas comemorações de mortes nestes últimos dias: 30 anos sem Elvis, 20 sem Drummond, 10 sem Diana.
Mas soube e fui buscar a informação não por admiração - porque se assim fosse o saberia -, mas por pura curiosidade. Ontem, saindo do trabalho vi uma pequena/média multidão concentrada em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. A maioria vestia camisetas pretas e tinha uma Kombi com altos-falantes em cima de onde saía o som do Raul. Alguns tinham faixas com os dizeres Viva o Raul, entre outros. Foi então que eu desconfiei.
Eu não gosto de Raul. Geralmente mudo a estação do rádio quando começa a melodia de qualquer uma de suas músicas, mas me emocionei. Achei lindo aquelas pessoas todas reunidas por um cantor, um músico, um ídolo. Fiquei toda arrepiada e só não fiquei mais tempo prestando atenção na cena porque avistei o meu ônibus parado no semáforo e eu ainda ia ter que descer a rua, virar a esquina e descer até o meio da outra quadra, então saí em disparada sem ter certeza se comemoravam aniversário de vida, de morte ou qualquer outra coisa. Mas, pelo menos, saí emocionada pela manifestação.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

No trabalho
Nunca pensei que organizar um seminário fosse tão difícil. Tô esgotada e não vejo a hora da semana acabar. Cansadíssima. E tão preocupada que durmo e fico sonhando com a maldita organização. Da próxima vez eu peço o dobro do valor e ainda vai ser pouco. Aff.
E aí, tá todo mundo perguntando no trabalho: você fica até quando? E eu, desta vez, respondo: até sexta-feira e eu não vejo a hora.
E hoje uma das pessoas me disse assim: Você vai na reunião com a OIT amanhã? Eu respondi: Acho que não, vou ter várias coisas pra fazer por causa do seminário. Ela saiu. Depois voltou. Você devia, pelo menos, assisitr a primeira parte sobre a definição de trabalho escravo. Porque eu vou pedir pro ciclano pra você organizar o seminário sobre o trabalho escravo que vai ter esse ano.
Eu sei que foi, claro, na melhor das intenções, mas eu tava tão cheia de organizar seminário que quase falei: organizar seminário? Ai não, me tira dessa!
*
No final das contas, eu adoro trabalhar no Observatório. Mesmo mesmo, de verdade verdadeira. Mas desta vez foi cansativo e ainda teve uma pequena queda de braço que eu venci, mas saí de lá com quebrante. Então, não vejo a hora da semana acabar, o seminário acontecer, eu receber e não voltar.
Eu queria muito ficar lá, mas pra escrever matérias, pra realizar o sonho do meu chefe: virar a repórter do site, mas enquanto a coisa não sai, eles não conseguem e eu não posso ficar, prefiro procurar outras coisas. E vamos à luta!

domingo, 19 de agosto de 2007

A tal da TPM

Sábado já fui dormir de mau-humor. Domingo acordei com dor de ouvido, de cabeça e de garganta. E com TPM. Chorei assistindo TV, lavando louça, ouvindo música. A flor da pele. Nhém-nhém-nhém total. Mas o bom foi que o dia acabou bem sem o trio-solução "c" destes caso: carinho, cama e chocolate.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Oftalmo urgente

É, eu uso óculos. E não posso deixar de usá-los devido a um problema na córnea. Depois que eu descobri isso resolvi que ia colecionar óculos. Eu sempre escolhi as armações mais diferentonas (já tive uma que parecia uma casinha e hoje revezo duas: uma marrom normalzinha e uma vermelha diferentinha). Eu não gosto muito de usar óculos, mas não tenho opção. De vez em quanto apelo para as lentes de contato, claro, mas não consigo usar horas e horas. No dia a dia, vai óculos mesmo. Só sei que as coisas que mais faço e gosto de fazer no dia a dia, como ler e ficar no computador já estão me dando dor de cabeça. Então, vou ao oftalmo. Aliás, preciso ir - com urgência. E agora já to aqui pensando em qual aramação eu vou querer, se uma transparente, uma preta ou mais uma colorida. Ai, que dúvida.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Minha flor

Ela não é minha flor preferida, mas é a segunda opção.

A semana

Na terça eu achei que fosse quarta; na quarta eu pensei que fosse quinta e hoje (quinta) eu queria que fosse sexta.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Conversas paralelas

Eu escuto a conversa alheia. Assumo. Outro dia o papo estava tão interessante que parei de ler só pra prestar atenção. Era um casal de adolescentes, ou melhor, jovens adultos. Enfim. Eles estavam cheirando a vinho barato e ouvi que estavam indo em direção à casa dele e vinham do bar da faculdade. Notei no que ouvi que eles eram ex-namorados e falavam também sobre amigos em comum. Ela contou que uma das amigas disse que sentia falta do namoro deles, que provavelmente provocava a convivência geral. Também ouvi e pelo que entendi ela namorava outro menino. Mas eu só comecei a prestar atenção na conversa por causa do seguinte diálogo:
Ele- você beijou alguém?
Ela- quando? Hoje?
Ele- É.
Ela- HOJE não.
Na mesma hora comecei a prestar atenção. Ela era das minhas e sabia que o papo ia render.
Depois, ela estava no impasse do que falava pra mãe e pruma amiga, que a esperava. Ela, junto com ele, tentava arranjar uma mentira que camuflasse o encontro dos dois.
Ele era inseguro e dizia que a tinha visto beijando alguém naquele dia. Mas ela afirmou que só dera um beijinho de amigo. No papo, ele também dizia que se a mãe dele soubesse que ela tinha estado na casa dele ia ficar muito feliz, porque a menina a conquistara. Ele contou que ainda tinha fotos dela espalhadas pelo quarto e falou um monte de outras coisas que denunciavam não só o quanto ele gostava dela como também que ele não tinha conseguido esquecê-la enquanto ela tocava a vida, namorava outro e ainda se divertia por aí. Mas no fundo, eu fiquei pensando mesmo é que ela gostava mesmo era dele e que tinha feito tudo aquilo só pra tentar esquecer ele. E, claro, não tinha conseguido porque se tivesse não estava naquele ônibus em direção a casa dele.
E, no fundo, eu ainda fiquei super feliz que os dois estava juntos e, mesmo sem conhecê-los, eu fiquei torcendo para que eles terminassem juntos e felizes.

domingo, 12 de agosto de 2007

Dia dos pais

Ele já errou feio. Já fez um montão de coisa errada, mas fazer o quê se o laço de sangue - e até o de amor - é mais forte? Já fui do tipo rancorosa que se quer olhava na cara dele, já fui aquela que o fez chorar dizendo poucas e boas no melhor/pior momento catarse, já fui aquela que o fez entrar maternidade adentro empurrando enfermeiras só pra que outro médico me examinasse e dissesse que ia ficar tudo bem, ainda sou a queridinha apesar de tudo e a de quem ele mais se lembra na hora de presentear.
Hoje foi um dia normal, com ele por aqui como sempre e ainda querendo agradar a gregos e troianos. Falando suas habituais bobagens e deixando os filhos pra lá de constrangidos na mesa do almoço com os avós. E é através de seus olhos verdes brilhantes, seu sotaque arrastado e sua cerveja na mão que ele se faz notar. Na sua voz alta e no seu jeito de conversar, comer pouco e repetir sempre a célebre fase: quê mais? ele marca presença. Ele se faz respeitar e ser amado, mesmo que em silêncio. E também ama, embora de uma forma que pareça estranha.
No fim, é bom ver que o tempo passa, as feridas fecham e que o melhor de tudo ainda é tê-lo por perto. Nada como uma data desta pra gente perceber que ele é sim importante e que amadurecer, crescer, perdoar e superar faz parte de todo mundo. E, aqui em casa, todo mundo aprendeu a lição.

sábado, 11 de agosto de 2007

Matando a vontade

Unhas vermelhas. Pra tirar o mau olhado, pra matar a vontade, pra ficar bonita, pra ficar olhando muito. Porque eu quis, porque eu tava com vontade, porque eu mereço. Enfim.
Os amigos e as indicações

Não tem nada melhor do que trocar indicações com os amigos. Você mostra, empresta, dá o que está vendo, ouvindo, lendo e recebe em troca o mesmo tratamento. Vale tudo: uma peça, um livro, uma banda, um filme, um seriado de tv.
Esta semana foi a vez da Thaty me introduzir ao mundo da banda Trash Pour 4. E se você não conhece, eu recomento. Eles "repaginam" aquelas músicas pra lá de batidas e conhecidas e que você e todos nós já estamos até cansados de ouvir. Sucesso dos anos 80 e 90 é o que mais tem nos 2 cds da banda, que é brasileira e manda muito bem. Tô com eles no mp3 e não paro mais de ouvir. Até já mostrei pra mãe e pras irmãs e estou em alta velocidade na difusão deles. Porque eu acho que coisa boa a gente tem que difundir mesmo.
Foi assim com O Teatro Mágico, mas confesso que estava mais resistentes. As meninas que trabalhavam comigo falavam que era bom, chamava para os shows e eu, nada. Até que um dia resolvi baixar na Internet. Amei. Comecei a ouvir muito e fui num show. Pronto, nem preciso dizer que antes mesmo de ir no show já tinha difundido aqui em casa e falado bem pra todo mundo.
Eu sou assim. Tanto que livros é a coisa que eu mais gosto de emprestar, mas só para aqueles que eu sei que devolvem. Com a Thaty é melhor ainda. Nós duas grifamos livros e entre nós, nos nossos livros, isso também é permitido. Então eu grifo os meus e os dela e ela os meus e os dela. Assim, a cada leitura, a gente vai saber não só o que grifamos como também o que o outro grifou. É tão bom.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Diálogos e amigas

Amiga 1: Preciso te contar uma coisa.
Euzinha: Ai, que medo. Que foi?
Amiga 1: Eu só te conto porque você é como se fosse eu.

Amiga 2: Eu precisava tanto falar com você. Só você podia me entender neste momento.

Se alguém tem duas amigas assim na vida não precisa de quase mais nenhuma.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O que acontece?

Eu não tenho conseguido acessar este blog. E nenhum outro que tenha a extensão blogspot. Não sei se o problema é aqui em casa (confesso que o computador não está lá muito bom) ou se é com o blogger. O outro computador com o qual poderia acessar era do trabalho, mas me bloquearam, então sem chances.
Esta noite tive um sonho meio doido. Acordei e fiquei até uns minutinhos a mais na cama só pra me certificar de que tinha sido sonho mesmo. Foi estranho. Mas foi ótimo acordar e ver que já tinha passado. Eu estava grávida, fugia para uma casa na qual o dono não poderia me ver, mas me encontrava com um DR com o pai do filho, que estava no banheiro. E eles não podiam se encontrar. E a empregada estava passando roupa e me via e conversávamos como se fôssemos íntimas e tinha gente da família na casa, gente que eu nem conheço e no sonho só ouvia as vozes. Os móveis eram brancos e era um lugar que eu nunca estive. E eu lembro que a sensação era de medo, de o que eu vou fazer agora grávida e só aqui me sinto bem - mesmo que esteja aqui escondida. Agora, pensando bem no sonho e colocando tudo digitado, pensado, escrito, talvez comece a entender algumas coisas. E o sonho não terminava bem. Quer dizer, eu acordei no ápice. Na hora da raiva, das lágrimas, da briga. Eu não sei o que aconteceu depois. Quer dizer, depois eu acordei e tudo passou. Eu acho.

terça-feira, 31 de julho de 2007

A política, o gesto e a mídia

Eu normalmente me abstenho dos comentários políticos aqui. Aliás, aqui e em qualquer lugar. Mas já faz dias que os dedos coçam para que eu faça algumas observações a cerca do episódio do gesto obsceno feito pelo assessor internacional do governo, Marco Aurélio Garcia.

É claro que concordo com muitas opiniões que estão por aí e falam que foi um absurdo, mas como jornalista não posso achar menos absurdo a posição da rede de televisão que a gravou e, pior, exibiu.

Alguém aí já se perguntou o que fazia uma câmera filmadora apontada para aquela janela? Exatamente na hora da veiculação do grande jornal da tal emissora? E incrivelmente no dia que a matéria “isenta” o governo?

É triste, tristíssimo, pensar na mídia que temos. E se há um ditado nas sociedades livres que afirma que cada povo tem o governo que merece, o que posso eu pensar sobre a mídia e o jornalismo praticado e assistido/lido/ouvido diariamente?
E ninguém sequer comentou. Todo mundo fica indignado com a cena top-top, mas não pensa em quais interesses tinham nisso tudo. Quais as forças que estão neste imenso jogo de poder que a mídia e a política promovem, muitas vezes, conjuntamente. Quem manda em quem? Qual a verdadeira mensagem por trás das imagens?

O Estadão incita algo assim (clique aqui), mas não vai além e deixa, ainda, muitas outras perguntas no ar. Afinal, é mais fácil deixar como está e indignar-se apenas com a imagem do que com todo o contexto que a envolve, pois isso seria – além de tudo – desafiar a toda poderosa emissora de TV.

domingo, 29 de julho de 2007

A contradança 2

Caminhavam juntos pela casa enquanto conversavam. Chegaram ao quarto e dirigiram-se para a janela, que foi fechada. Meia-luz, penumbra e rodopios. Parecia uma dança. Era quase uma valsa. E ele disse: no dia que eu me casar eu quero dançar assim pelo salão.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

A contradança 1

Ele não gosta de dançar. Não gosta de cantar. Não gosta de lugares fechados e nem de inferninhos. Não é chegado a romantismos, mas ainda é capaz de improvisar e agradar. E foi assim, de repente que ele provou isso. Ela já nem acreditava mais que ele seria capaz de qualquer ato romântico. Ele levantou e a abraçou ao lado da cama, sem mais nem menos. E então começaram a se mover e a dançar no silêncio do quarto. Não havia música nem melodia. Mas eles dançaram como nunca, feito uma cena de cinema.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Diálogos e elogios

*
Menino 1: Hmm, como você está bonita hoje. Tá até de bota.
Euzinha: Obrigada! De vez em quando faz bem, né?
*
Menino 2: Você tá linda hoje!
Euzinha: Obrigada.
Menino 2: A roupa, o jeito, tudo. Você tá feliz porque voltou a trabalhar, né?
Euzinha: Eu tô!
Menino 2: É isso!
*
Pessoas diferentes, lugares diferentes, situações diferentes. Elogios iguais. E quem não ia amar?

sábado, 21 de julho de 2007

Podia ter sido comigo

Sexta-feira estava na saída do metrô quando olhei para uma pessoa que estava ao meu lado e achei que ela não tinha a melhor das caras e nem a melhor das aparências. Pensei que devia sair dali porque eu estava sozinha. Só que ao mesmo tempo eu reparei que ele olhava fixamente para a menina que caminhava para fora do metrô e falava ao celular.

Eu já tinha reparado nela fazia alguns segundos e estava até prestando atenção na conversa dela, que era sobre exames, talvez uma consulta e o pagamento durante o final de semana. Quando ela chegou bem mais perto foi que reparei nessa pessoa e vi que em um impulso ele se direcionou a ela. Então, me vieram dois pensamentos: 1) eles se conhecem e ele a estava esperando; 2) ele vai bater nela! Sim, não foi só com ímpeto que ele se dirigiu à ela, foi com tudo e com as mãos em direção ao rosto dela dando a impressão de que iria pegá-la e bater, sei lá.

Na mesma hora em que pensei isso (2), ela também deve ter pensado a mesma coisa e se assustou com aquela pessoa que vinha pra cima dela. Ele simplesmente pegou o celular dela disse Bom Assalto! e saiu correndo. Na mesma hora comecei a passar mal de medo: tremedeira, suar frio, desorientação, etc. O outro grupo de pessoas que estava na minha frente também ficou assustado e resolveram sair da frente do metrô. Como eu estava esperando uma pessoa resolvi que era melhor entrar no metrô, pois isso me daria um pouco mais de segurança.

Fiquei super nervosa porque podia ter sido comigo. Eu estava ali, do lado dele e bem mais perto da moça que estava falando ao celular e carregando uma bolsinha, que ele podia ter levado com ele. Fiquei assustada e sei que voltarei a andar pelas ruas da cidade aterrorizada por uns dias até que a má impressão acabe. Mas acho que as coisas só nos causam estranhas sensações exatamente quando nos damos conta de que poderia ter sido conosco. E foi assim esta semana e este não foi a única situação.

No meio da semana foi a vez do acidente da TAM me abalar de verdade. Claro, eu fiquei chocada como todas as pessoas. Achei triste e tudo mais. Até queria escrever sobre o acidente aqui, mas depois pensei que talvez usaria as mesmas palavras que todos já havia usado: indignação, tristeza, revolta, tragédia anunciada, pista que termina dentro da cidade, etc. Enfim, achei que não ia valer a pena e passei a vez.

Até que a Thaty me ligou perguntando se eu estava sentada. Já sabia, pelo tom de voz, que era notícia ruim na certa. Juro mesmo que pensei em morte só não associei ao acidente naquelas frações de segundo. Foi quando ela me contou que a irmã de uma amiga de colégio morrera no acidente.

Advogada e jovem - apenas 29 anos - como muitas pessoas que estavam no avião, mas muito mais próxima de mim do que todas as outras. Deixou uma filha de 3 anos e um marido, além da mãe, das irmãs, das amigas, dos outros familiares, etc. E foi aí que eu não agüentei. Foi aí que chorei de verdade pensando que podia ter sido na minha família. Foi aí que eu pensei que os parentes, amigos e até o marido vão ter muitas lembranças dela, mas a filha não.

Eu nem consegui escrever nada no orkut para essa amiga de colégio. Esperei mais uns dias para digerir melhor a história. Me sentir mais capaz de pensar e tentar escrever alguma coisa. E então, nessa semana foi que pensei que a gente sofre pelas tragédias principalmente quando nos colocamos no lugar das vítimas fatais e das vítimas indiretas. E é também nesse momento que a gente percebe o quanto a vida é frágil e, por isso, sofre e chora como aconteceu comigo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Programão

Pro final de semana terei muitos filmes. 5 filmes, 5 dias, 10 reais. Promoção da locadora que me rendeu: A liberdade é azul, A igualdade é branca, A fraternidade é vermelha, Memórias de uma Gueixa, A Rocha e um lançamento: O contrato.
Lá vou eu. Ontem já assisti um e ainda tem mais pro final de semana. Sexta-feira ainda tem Teatro Mágico e eu não vejo a hora.
Domingo faço uma prova de concurso público. Não estudei nada como queria, mas junho veio atropelando e julho ficou por conta de colocar a casa em dia. Vai ser na sorte. Ou melhor, eu sei que não vai ser, mas tudo bem.
E ontem me ligaram perguntando se eu trabalharia por um mês lá onde já trabalhei por mais de um ano. Topei, mas não acertei os detalhes. Só sei que esse trabalhinho veio a calhar. Parece que as coisas se ajeitam mesmo que a gente não faça tantas coisas assim. Eita nóis!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

SMS

1- Um dia de madrugada:
Orme, orme. Se eu não durmo ninguém dorme. Fulando, o insone em Sampa.

2- Alguns dias depois, logo cedo:
Você sabe até que horas vale o rodízio? Valeu.

3- Ontem à tarde:
Será que um dia você vai responder uma mensagem minha?

sábado, 14 de julho de 2007

Indicações

O Nomínimo acabou, mas alguns colunistas continuaram com blogs próprios. Aconselho a leitura de Nonsense de Luiz Antônio Ryff. É ótimo. As histórias são bizarras e dá até medo de pensar que são verídicas. Não sei se é pior elas acontecerem ou serem noticiadas. Anyway.
O blog da Carla Rodrigues também é muito bom, vale a pena ler sempe. Clica aqui.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Muitas coisas

Tem propaganda na TV que você assiste e sofre - muito. Eu, nestes casos, fico pensando: E tem gente que jura por deus que é publicitário. Mas tem propagandas que dão até gosto de assistir. Este, pra mim, é o caso da propaganda da Oi. Quem ama bloqueia é uma idéia genial e apesar da música ser grude eu adoro. A-do-ro.
*
Defina uma tarde de sexta-feira perfeita. Pois é, a minha foi assim ó: cinema com a amiga xará preferida e um amigo dela - que eu já to considerando amigo também -, depois comer sobremesa delícia e muitas conversas, algumas lágrimas e mais conversas. E foi sim a sexta-feira mais perfeita de todos os tempos. Amei.
*
Paris, te amo é tudo. Amei o filme. Se fosse escolher a parte mais legal escolheria a história do cego. Amei. Agora quero pra mim. E vou recomendar, pra todo mundo. Podem assistir que vale a pena.
*
E quando você conhece uma pessoa e ela te lembra - pelo físico - outra pessoa. Outra esta que você já foi ensandecida. Não, não, não. Desacreditei. Pasmei. Choquei. E fiquei olhando, reparando e tentando, mentalmente, comparar e encontrar as semelhanças. Achei: boca, nariz, olhos. Sério. Sério. Sério. Nem eu estava conseguindo.
Amigo é pra essas coisas...

... dividir uma pipoca doce;
... dividir uma conquista;
... dar uma bronca e muitos conselhos;
... dizer que está certa;
... beber na mesa do bar;
... conversar na porta do estacionamento;
... fazer companhia no Mc;
... dividir um segredo;
... contar sobre si e perguntar de ti;
... tirar fotos;
... dar risada das nossas trapalhadas;
... brindar;
... pra fazer uma confissão;
... é pra tudo e é pra sempre.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Das histórias de livro

Eles entram na farmácia e todo mundo fica olhando. O farmacêutico que estava de bate-papo na porta entra para atendê-los e antes disso os cumprimenta. A pedido dele, a garota pega os doces à venda na farmácia e abre e os dois começam a comer enquanto o farmacêutico foi pegar o remédio que ele pedira. Eles dividiram um doce de leite. E ele brincou dizendo que estava todo mundo olhando porque ela pegava, abria os doces e comia - ali mesmo. E ainda disse pro farmacêutico simpático: olha ela está roubando. E o farmacêutico defendeu a menina dizendo que não. Ele perguntou que doce mais ela queria, mas ela rejeitou. Ele insistiu e ela escolheu o óbvio - um chocolate. Ele ficou com a cocada.
Outra pessoa olhou e sabe-se porquê. E questionou. Ele disfarçou, abaixou a cabeça - devia mesmo querer cavar um buraco e sumir enquanto a garota hesitava e, rendendo-se, confirmava. Sim. É quem você está pensando. As pessoas seguem, mas eles ainda ficam ali. Ela é a cúmplice dele naquela tarde. Como se tivessem cometido um erro crasso, um homícidio qualificado, planejado um roubo a banco, são vistos e analisados. Alguns até omitiam palavras, falavam com eles. Era como se no fundo estivessem os acusando, apontando o dedo e dizendo: São eles! São eles!
É, eram eles.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Feriado bom com direito a:
bicicleta no Ibirapuera,
árvore e sombra no calor do parque com Fernando Pessoa,
Quadrilha e arraiá no sítio da amiga,
Gincana e pulação de corda no domingo.
E ainda nem acabou.
Eeee coisa boa.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Hoje

Estava andando e cantando pela rua - é eu canto pela rua enquanto caminho - quando uma mulher parou na minha frente. Você é a do curso? Olhei. Ahn? Ela já meio na dúvida. Você não é a do *&¨%$#@#¨&**? (o nome do curso tá gente, é que eu na verdade quase não entendi e menos ainda memorizei). Eu com cara de você está me confundindo. Não. Ela já sem entender. Ah, desculpa. Eu saí andando. Imagina!
E agora eu fico me perguntando: será que ela me confundiu com alguma adolescentezinha? É porque outro dia uma amiga, que estava cobrindo um evento comigo, foi capaz de achar que era eu uma menina de uniforme. Veja bem: U-NI-FOR-ME. Eu já não uso estes trajes há muitos anos. E não deve ter sido com uma menina que estava no colegial; tenho certeza que ela deve ter achado que era eu uma menina da sétima série. Então, vontando. Será que ela achou que eu fosse a substantivo oculto porque ela não pronunciou porque eu estava andando e cantando? Ou será que ela achou que eu fosse outra pessoa porque eu sou um tipo comum: cabelos lisos, castanhos e cumpridos, magra, estatura mediana e de óculos?

quinta-feira, 5 de julho de 2007

terça-feira, 3 de julho de 2007

O problema sou eu

Não gosto de assessoria de imprensa. Não adianta. Odeio. Não sei se é porque estive primeiro do lado de lá da coisa, na redação, ou se porque não nasci pra isso mesmo. Mas não tem jeito. Eu estou tentando, mas com pouco tempo de tentativas já estou sofrendo. Eu sei que esse é o nicho de mercado que mais cresce, que as chances em redações são raras e poucas, que é nas assessorias que estão os melhores salários. Eu sei de tudo isso. Mas ainda não consigo. Quem sabe se um dia o salário for mesmo bom - porque nesse caso é uma porcaria - e o sacrifício valer a pena, pelo menos, financeiramente? Por enquanto não vale. Vou tentar mais um pouco porque eu não sou de desistir tão facilmente, mas acho que já sei qual vai ser o resultado.
Eu gosto mesmo é de fazer entrevista, escrever texto, camelar na rua. Eu gosto do que dizem ser o romântico do jornalismo. Eu amo deadline, fechamento, cheiro de revista nova chegando da gráfica, dia todo na rua e uma tela em branco piscando à espera de um texto meu depois de tudo.
É disso que eu gosto. E é isso que eu quero.

domingo, 1 de julho de 2007

Calendário às avessas

Feriado à vista e planos para viajar. Interior é o provável destino. Mas eu tenho dúvidas. Ando querendo calma. Ficar em casa, ajeitar minhas coisas, me organizar.
Eu achei que o mês de maio custou pra passar e dei graças a Deus quando acabou. Já sabia que ia parar de trabalhar desde o começo do mês, então me pareceu um mês arrastado, sem fim, em que as coisas não aconteciam. Mas veio junho todo bagunçado. Essa coisa de trabalhar em casa me deixou meio sem rotina - que apesar de não ser uma coisa que eu goste funciona muito bem, obrigada - e daí vieram os frilas atropelando tudo e eu já não sabia mais o que fazer. Trabalhei, ralei mais do que estava habituada e minha vida desandou. Todos os planos para as horas vagas foram perdidos e eu fiquei com a impressão que de quanto mais se planeja menos se concretiza. E eis que hoje começa julho. Acho que nesse mês eu consigo me colocar em ordem.
Tenho trabalho, mas não tenho emprego. Quero focar na minha busca por um e fazer outras coisinhas que tinha me planejado para o mês que acabou e não consegui. Só que o feriado já quebra tudo isso. Enfim, planos... vamos ver o que acontece.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Antes tarde do que mais tarde

Eu estranhei que esse mês ela não tinha comparecido. Até pensei nisso no começo da semana. Mas eis que sexta-feira me pego irritada, sensível. Quinta-feira foi parecido. Falta de vontade de fazer as coisas e carência latente. Depois de notar os típicos sintomas: carência, irritabilidade, falta de disposição, carência, chorando à toa é que eu percebi que ela veio sim. TPM. Mais tarde que o comum, mas não deixou de comparecer este mês. Que pena. Tava tão bom sem ela.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

domingo, 24 de junho de 2007

Desabafo


Putaqueopariuputaqueopariuputaqueopariuputaqueopariu.
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sexta-feira, 22 de junho de 2007

As causas trabalhistas

1) Estou adorando essa coisa de gostarem do meu trabalho, mas só uma coisa: eu sou só uma.

2) Hoje só amanhã e o final de semana promete: trabalho à vista.

3) Mais uma semana de cobertura de feira. E mais um final de semana podre. Só espero que esta sala de imprensa tenha Internet porque senão fica um caos trabalhar.

4) O melhor de tudo é descobrir que não, você não tem um frila e sim um emprego. Ah, que coisa. Nem uma semana desempregada. E é um emprego que não te consome, afinal não são todos os dias da semana e ainda é na Paulista, quer melhor?

5) Bom mesmo seria ganhar bem. Ah, isso ainda parece um sonho inatingível, infelizmente.
O sonho e as vontades

Sonhei que estava indo viajar e fiquei com vontade.
Sonhei com um vestido lindo e fiquei com vontade.

*

Trabalhando horrores e com muitas horas ainda a dever. Desespero. E os planos de trabalhar no final de semana são balançados por convites mui tentadores das amigas.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Na caixa de entrada

Aqueles meus amigos - que já falei algumas vezes aqui - continuam mandando e-mails engraçadinhos. Hoje um deles enviou este link dentro de um e-mail que tinha o seguinte título: Vejam só. Acho que todos temos história para contar...
Eu respondi: Tenho certeza que se a Ju escrevesse um texto contando a experiência lumierense ele seria publicado. E aí, JU, se habilita? Alguém mais?
Mas o melhor mesmo foi a resposta da Ju: "só pq eu trabalhei pra princesinha e eu era a bruxa da história"

Explico: Um dia Ju estava farta da enrolação da chefe - que mentia adoidado, sem motivo e sobre coisas descabidas - para dar uma posição sobre sua possível efetivação. Ju iria se formar e precisava de uma definição, que já tinha sido prometida em meados de julho e estávamos em novembro e nada de se confirmar. Eis que Ju começou a discutir em plena redação, mas se encheu e saiu da sala com todo ímpeto. A chefe se desesperou, telefonou para o chefe-mor para definir alguma coisa e saiu da sala atrás da Ju. Na redação o pensamento era de: FODEU! Ambas se encontram no corredor, conversam. Ju volta e a chefe também. Em minutos Ju diz: abre o e-mail. Neste, ela relatava o que a chefe tinha acabado de lhe dizer ao corredor: Eu vou resolver, calma. E não briga comigo porque eu sou uma princesa. E essa é só uma das histórias. Tem também o convite de casamento que era da Branca de Neve (pasmem!) e a lua-de-mel que foi na Disney. Ah sim, odiávamos a chefe. Queríamos nos rebelar. Tudo foi descoberto e eu e a Ju mandadas embora como lição de moral pro resto, um cala-boca nos jornalistas que se atrevessem a continuar com a boicotagem da princesinha.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Bodas de prata

Meu aniversário ainda está longe. Só em dezembro. Mas hoje me peguei pensando que queria fazer uma festa de verdade. Há anos não tenho essa vontade. Aí fiquei assim pensando em uma coisa bem legal e nas pessoas que eu queria convidar. E fiquei pensando que eu preciso começar a juntar dinheiro pra isso, afinal são 25 anos. E não, eu não quero deixar passar em brancas nuvens.
No fim

Minhas aulinhas de fotografia estão no final. Uma pena. Só tenho mais uma aula na semana que vem, mas que vai ser avaliação do curso e um trelelê que a gente combinou. A última aula prática foi hoje e a gente fez um cartão de visita. A foto tinha que ser nossa. E tinha que levar uma transparência com os dados. A minha quase não deu certo. Mas saiu assim:


terça-feira, 19 de junho de 2007

Síntese

"Podia ser uma história muito normal." Luciana Taddeo na melhor das definições.

sábado, 16 de junho de 2007

Os amigos

Essa semana soube da morte um conhecido. 29 anos. Ataque fulminante do coração. Fiquei mal. Ainda mais quando o amigo que me contou disse: Agora nós não somos mais 12 amigos, só 11.
Meu coração apertou de uma forma incrível, eu fiquei pasma e fiquei e resto da semana chocada com isso. Porque como eu mesma respondi: não quero nem imaginar quando isso acontecer comigo.
E eu sei que é inevitável. Então, o jeito é aproveitar enquanto eles estão aqui ó - pertinho da gente.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Na cobertura ou Ossos do ofício

Quem me dera ser bolo e cobrindo (ou seria melhor, como cobertura) ficar por cima. Mas em eventos, jornalistas não têm disso não.
Tem hora para chegar e não para sair; camela o dia todo, de um lado para outro.
Pauta, entrevista, texto, anda, entrevista, orienta fotógrafo, volta, escreve, apaga, re-escreve, revisa, conversa, anda, pára.
É quase isso, mas é pior. É tudo isso, mas é ótimo!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

O acaso, de novo

Na semana passada uma antiga amiga me chamou no MSN.
ela: Ei, pensei em você ontem
eu: Em mim? Porquê?
ela: Lembra de um texto que você me mostrou uma vez que começava com "tua boca".
eu: Lembro. Acho que foi o anão que me mandou.
ela: Você lembra de quem era?
eu: Não, acho que não tinha autoria. Mas devo ter ele aqui ainda guardado.
ela: Jura?
eu: Calma que vou procurar.

Bom, eu tinha mesmo o texto guardado junto com os outros milhares de e-mails dele. Enviei para ela e de quebra fiquei lendo os e-mails que a gente trocava quando se falava. Bateu saudades. Não daquele tempo - em que eu era chata e insegura - nem dele propriamente dito, mas de ter a amizade dele.
Enquanto relia os e-mails atualizava minha amiga dos últimos contatos com ele, que não nos falávamos mais - e que como ele está casado até me ignorava na presença da mulher, já sem ela só me cumprimenta quando não tem jeito. Criancice, I Know, mas o que eu posso fazer? Eu também ignoro, afinal já passou o tempo que eu corria atrás dele.
No dia seguinte entrei no MSN e decidi que, se ele estivesse online como todos os dias, falaria com ele. Claro que ele não estava. Murphy costuma ser meu amigo quando eu quero alguma coisa.
Mas estava eu - bonita - trabalhando ontem quando meu superior me sugere dar uma volta na feira, ver o que tem de novidade e conhecer o mercado, que segundo ele tem empresas de movimentação - empresa no mesmo segmento que o anão em questão trabalha. Bateu um clique do tipo: será que ele está aqui? Só que o clique logo desclicou e eu nem pensei mais que 10 segundos nisso.
Estava andando o primeiro corredor, virei para voltar pelo seguinte quando avisto o anão. Na mesma hora ele também me viu, afinal a feira estava bem vazia no primeiro dia. Bateu ainda a dúvida do vou ou não vou, mas a carinha que ele fez indicou um sinal verde para a aproximação. Em pleno dia dos namorados, encontrar aquele serzinho que já mexeu muito comigo e hoje não mais, mas que mesmo assim é MUITO querido. Ainda mais depois de ter relido vários e-mails dele uns dias antes. É demais, né? Parece que só comigo.
Então, a gente conversou numa boa; ele me convidou para almoçar e emendou o famoso se cuida quando eu fui embora. Enfim, acaso?
E Marcelo Rubens Paiva - também coincidentemente - escreveu no sábado: "Porque o acaso nem sempre é por acaso."