quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Meu nome é Adriana

Pois eu assisti ao filme Meu Nome não é Johnny e até agora estou pensativa. No fim, a frase da juíza de que João Estrella era exemplo da possibilidade de recuperação das pessoas é o que me perturba. Não sei se ele é um modelo; mesmo porque ele é a exceção da regra.

Pergunto-me se ele teria se recuperado se tivesse sido mantido em uma prisão comum e também me questiono se ele só não enloqueceu no manicômio por ter o violão como companheiro. Isso não mostou no filme, só sei porque li na imprensa.

Selton Mello dá seu show. Rafaela Mandelli não fica para trás. Mas ainda fico pensando se o filme é mesmo bom. Todo mundo elogiou. Mas eu ainda não sei. Acho que precisava assistir de novo. A história é boa, mas achei o roteiro pouco ousado. A polêmica acerca do assunto é certa e talvez seja o assunto que me causa um certo incômodo.

Outro dia li um artigo do Dimenstein sobre João. E logo no começo Dimenstein diz: "ele se dispôs a contar passagens de sua infância e adolescência para que eu tivesse pistas sobre os caminhos que o levaram ao vício, à cadeia e, enfim, ao manicômio." Dimenstein discorre sobre possibilidades, mas não há certezas.

No artigo João se posiciona como o filme, que não aponta um culpado. "João Guilherme Estrella, hoje com 46 anos, prefere não culpar ninguém. Não acusa a sociedade nem a sua família. 'Fui vítima das minhas escolhas.'"

Com isso, o filme cria uma polêmica tão distante e (talvez) tão absurda que não alcança as reverberações e debates atingidos, por exemplo, por Tropa de Elite. Se apenas contar a história era a intenção do diretor Mauro Lima posso dizer que ele conseguiu. Mas confesso que o filme me deixou com vontade de ler o livro só pra saber se, pelo menos, lá há alguma parcialidade.

2 comentários:

Tatiana disse...

Ei, jornalista, e onde fica a imparcialidade?
Não vi o filme, mas talvez as respostas quem tenha que achar são os espectadores. Nada de respostas dadas.
Só pra constar, não acredito em imparcialidade!
Te amo!
Beijos

Menina com uma flor disse...

Eu também não acredito em imparcialidade, baby. Jornalista sou, mas não acredito em nada disso. Nunca. É como lenda urbana. Todo mundo diz que tem, mas ninguém nunca viu, sabe?
Pois é.