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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sobre a separação

Desde o mês passado estou remoendo o "aniversário" da minha separação. Cheguei a ficar bem mal no começo do mês ao relembrar o que tinha acontecido na mesma época, no ano passado. Mas aí, passou. Do mesmo jeito que a revolta, a ira, a angústia de relembrar tudo aquilo veio; ela se foi.

E esta semana fez um ano. Dia 20 de outubro de 2014 foi quando eu pedi o divórcio. Quando eu disse chega! e verbalizei que eu não queria mais. 

Se, a princípio, eu queria escrever sobre tudo aquilo que aconteceu para exorcizar; agora que passou eu não quero mais falar disto. É que eu to tão bem, eu me sinto tão bem que não parece que faz apenas um ano. A liberdade e a alegria que eu tenho, sinto e vivo hoje é tão plena, tão certa que parece que faz mais tempo.

Arrependimentos eu sinto apenas de ter demorado tanto para terminar um relacionamento que já vinha há muito tempo com problemas.

Então, para comemorar minha boda de papel de separada eu queria celebrar meu crescimento pessoal. Minha capacidade de dar conta de casa, trabalho e filho; minha alegria que não mudou e só fez crescer; o quanto eu me sinto plena sem ter alguém e me sinto capaz, satisfeita e feliz; o quanto eu sinto que eu cresci e amadureci neste tempo todo.

Nem sempre é fácil, é verdade. Mas pensando sobre as dificuldades existentes, as barras que enfrento e tantas outras coisas em um destes dias que eu estava mal, eu cheguei a uma simples conclusão: tudo estaria exatamente igual se eu estivesse casada. Aliás, somariam-se ainda os problemas conjugais e todas as coisas que estavam ruins naquele relacionamento e no casamento. Uma conclusão bem realista dos problemas que existem, e existiriam em outras condições. E quer saber? A felicidade, a liberdade e a ausência dos problemas conjugais antes existentes já me ajudam um bocado para enfrentar os outros problemas, que existiriam independentemente. 

Então, quer saber? Eu ganhei tanto neste 1 ano que passou que devia mesmo era sair por aí, comemorando minha boda de papel de separada. Minha boda de papel de casamento comigo mesma, com a minha felicidade e com as coisas que eu desejo pra mim com tanta força. Que venham muitos mais anos desta alegria e de bem viver com a pessoa que eu sou!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mais relatos do outro lado do mundo

Desta vez, o relato é de um amigo. Ele está há cerca de seis meses morando na África - mais especificamente em Moçambique na cidade de Maputo - e está escrendo um blog. Os posts mais legais de relato ele acaba também enviando para os amigos e familiares por e-mail. O primeiro que recebi foi no começo de novembro e trata da vida dele: "Mas para agilizar a história, a loucura deu certo, estou completando 6 meses, entrando na segunda fase de viver na África (já explico isso) e acho que seria uma boa hora para fazer um balanço..."
Ele, que eu nem sabia, escreve muito gostoso e descobriu essa coisa de fazer blog e relatar sua vida africana. Está lá no blog "Tá puto? vai pra Maputo!" e vale a pena ler.
Segue mais um pedacinho deste relato, que já começou aí em cima, só para deixar todo mundo com água na boca de ler mais.


"Actualmente estou morando em um apartamento T3, de vista para o mar! 5 vezes o tamanho do meu em SP!... bom o mar esta lá no horizonte... não é tão perto assim.... acordo as 7 horas, suado, ainda não sei explicar o clima daqui... o dia sempre é muito ensolarado... muita luz... sim uso protetor solar (Pedro Bial), mas a noite a temperatura cai e temos que dormir de cobertor... saio as 8h e chego no me trabalho as 8:02 hehehehe moro na esquina do meu trabalho! Reflexos do trânsito de São Paulo, minha terapia esta sendo acabar com tudo que me irritava em Sampa!
O trabalho é algo muito distante do que chamamos de trabalho no Brasil, mas para explicar isso eu vou escrever um outro texto, em fim, 12h30 vou almoçar em casa! sim almoço em casa, 1h30 em casa, estou com uma empregada, a Bernardette, como ela mesmo disse, lavo passo, engomo, cozinho, limpo a casa e levo comida "pro patrão"! Aqui todas as empregadas chamam seus chefes de patrão e patroa!"

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Relatos do Afeganistão

Já faz um tempo que leio o blog da Adriana Carranca, jornalista do Estadão que faz parte de um interessante grupo de jornalistas sociais, os ANJOS (Associação Nacional dos Jornalistas Sociais). Ela, que estava de férias, volta com relatos direto do Afeganistão. Um dele me toca profundamente e segue para vocês:
"Mostro meu visto na imigração, em Nova Déli. “Uhm, Kabul...”. Parece que ter o visto afegão significa colocar um selo de má qualidade no seu passaporte. Será que alguém pode ter uma reação normal, pelo menos uma vez? As pessoas, afinal, continuam vivendo naquele lugar. Por que eu não posso ir até lá, então? Por que eu deveria ter o privilégio de não conhecer a realidade trágica à qual outros são submetidos? Para afegãos, a realidade é ainda pior. Além de serem vítimas dessa guerra sem fim, não conseguem visto para nenhum lugar e, ainda que o tenham, sofrem verdadeiras sabatinas nos aeroportos. Um jornalista afegão no mesmo vôo que eu fica mais de meia hora parado na imigração. Mesmo na vizinha Índia, com quem mantêm boas relações, os afegãos têm de se registrar na polícia, dizer onde vão e o que vão fazer." Adriana Carranca, no blog Pelo Mundo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Um relato

Cada um que ali passava não levava apenas uma ou duas sacolas com parcas peças de roupas, carregava consigo o pesado sentimento de dor. Se carregavam ou vestiam? Me pareceu que vestiam - a contragosto, é verdade, mas a dor não é um sentimento muito fácil de se levar.
A espera mandava avisar que se estenderia por toda tarde e além de tingir o luto da cor mais negra ainda se encarregaria de trazer a angústia e alimentar a dor.
Pessoas em volta se preocupavam com as leves sacolas e tentavam confortar o que não podia ser dividido. Eu pude sentir a dor que nem era minha e que ainda não foi. Mas eu ficava ali imaginando e, mesmo que de forma tênue, sentindo.
Pouco ou nada se podia fazer. Então, ofereci meu melhor abraço, minha silenciosa companhia e meu verdadeiro amor. Assim: simples e significativo.