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terça-feira, 28 de junho de 2011

Ontem

Da morte ninguém sai ileso. E quem me dera isso fosse uma piada ou um trocadilho infame. Mas não é. É tudo verdade. E difícil. E duro. E triste. Mas sobrevivemos.
Por enquanto, vamos enfrentando, chorando, lutando, tentando, lembrando e chorando mais e mais e mais. Lágrimas secam, acabam ou esgotam? Por enquanto elas são abudantes, sentidas, sofridas, inevitáveis.
Chorar é a única coisa que consigo fazer apesar do consolo dos 81 anos vividos, dos 3 filhos criados, 6 netos curtidos e até um bisneto amado. Bisneto este que ela conheceu, carregou, beijou, benzeu e amou enquanto pôde.
Embora o Arthur não vá se lembrar da bisa, temos fotos para provar como era grande o amor dela por ele, que sei que não acabou, só mudou de forma e de lugar de onde é emitido. O amor fica e isso um dia vai nos consolar.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mais do mesmo ou Ainda sobre a morte da avó

* houve, para mim, 3 momentos de consternação no enterro
* eu conheci um primo que não sabia que existia
* ela se foi com meu convite de casamento no caixão
* teve o bafafá do terço, que me deixou decepcionada com minha madrinha
* meu pai não viu a mãe morta
* eu nunca tinha sentido tanto a morte de alguém

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

...

Eu podia pensar que ela já viveu bastante e me conformar. Eu podia entender que ela já não é mais nenhuma criança e está chegando sua hora. Que ela viu cinco netas se casar e conheceu cinco bisnetos. Paparicou todos eles o quanto pode. Criou uma neta além dos 11 filhos, sendo que um deles ela perdeu em um acidente de carro. Perdeu há mais de 20 anos o marido. Viu a irmã falecer da mesma doença que a quer levar agora, mas que ela não sabe que tem. Ela me avisou que não me veria casar e me pediu uma chance a mais de estar ao lado dela. Eu cumpri o prometido. E em dezembro ela estava bem, feliz, com os irmãos, os bisnetos, os filhos e os netos à sua volta. Todos comemorando. Todos felizes. Em um mês, a doença avançou e ela está cada dia pior. Os filhos já se reúnem à sua volta e enquanto ela piora, eu fico esperando a notícia fatal. E choro. E lamento não ter convivdo mais com ela, não ter levado meu vestido de noiva para ela ver, não ter falado mais dos detalhes do casamento e de não ter coragem de ir lá, me despedir.